Estações…

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Eu não escrevo por aqui já faz algum tempo. Quem acompanha o Ovelha Magra, às vezes, até me manda um recado dizendo “estou sentindo falta dos seus textos” e eu agradeço o carinho, respondendo que o tempo para escrever tem sido escasso no meio de tantos outros afazeres.

Soma-se a isto o fato de que eu sou do tipo que não gosta de escrever por obrigação, sem um bom argumento ou motivo. Prefiro escrever quando o peito já não aguenta mais de tanto “turbilhar” pensamentos e frases soltas que quando agrupadas assim, em texto, ganham uma linha mais organizada e quase sinfônica.

Hoje bateu essa vontade de escrever. De deixar as palavras descansarem nesta tela.

Em primeiro lugar, porque hoje completo quatro anos de um casamento muito intenso e porque escrever é uma das formas de reconhecer e homenagear a mulher com quem aprendo todos os dias sobre aquela parte da história que diz: “…felizes para sempre”.

No início de qualquer relacionamento tudo é parte da conquista e do envolvimento psíquico-hormonal-espiritual-carnal-metafísico do primeiro olhar, da primeira poesia, da primeira declaração, do primeiro beijo e de todas as primeiras experiências e arrepios que vive junto um casal que se ama e se entrega de verdade e com vontade.

Durante a primavera, quando nada é rotina ainda, tudo brota em flores, disfarçando ou nos fazendo não pensar em nada além do belo ou da vontade de amar.

Mas, de repente, conforme vai se vivendo (e convivendo), vem o verão do relacionamento, depois o outono e, mais tarde, o inverno até recomeçar o ciclo. Cada nova estação ou fase do relacionamento tem suas características e aprendizado quente ou frio, dependendo da época. E é providencial que seja assim como é: ciclos de estações que vão moldando, conduzindo e solidificando o relacionamento a cada nova etapa.
Definitivamente casamentos e casais “perfeitos”, em eterna primavera, só existem nos comerciais de Doriana e duram 30 segundos. Casamentos e convívios reais carregam o adensamento de se aprender a amar um dia de cada vez, uma mudança de estação de cada vez.

Às vezes o calor, outras vezes o cheiro das flores, outras vezes o secar das folhas no chão e, ainda, outras muitas vezes o frio. Os casamentos de verdade experimentam todas as nuances das mudanças das estações. Todo o tempo, até findar-se a caminhada, mais envelhecidos e mais sábios.

Existem aqueles que não conseguem entender o benefício psicológico e relacional das mudanças das estações, dos novos desafios, das vontades e dos humores. Alguns querem que tudo seja primavera, sempre. Outros não sabem vencer o frio e desistem de esperar um novo verão, decidindo seguir sozinho o seu próprio caminho.

Elaine surgiu em minha vida, literalmente, saindo de dentro de uma carta de amor. Verdade! Uma carta de amor que só ela leu porque foi merecedora de recebê-la. Um pouco mais de quatro anos se passaram desde então e eu continuo sem a menor vontade de escrever outra carta de amor para qualquer outra pessoa. Elaine é a fonte e ao mesmo tempo o cofre forte de todas as minhas poesias e canções de amor.

Não somos nenhum “casal Doriana”, nossas estações do ano vêm e vão, como tem que ser. Às vezes o frio aperta, dói, outras vezes as folhas ficam pelo chão secando, quase uma estação inteira, mas nós dois sabemos que a primavera sempre vem e a vontade de esperar juntos por ela nos amadurece, nos ensina a perdoar, mudar e crescer.

A vontade de amar, ficar, construir algo sólido, bom e vencer juntos é o que nos dá forças para esperar sempre por uma nova primavera. E ela sempre vem. Basta ser paciente e encontrar a esperança refletida no olhar parceiro, verdadeiro e franco um do outro.

O bom de amar tão decidida e reciprocamente assim é que a gente encontra descanso e paz na alma. A gente aprende a esperar, a superar tudo e levar isso para a vida, como ensinamento santo que só se aprende assim: de mãos dadas na vida um do outro.

Tudo passa a fazer sentido! O ciclo das estações, as perdas e os presentes que recebemos da vida e de Deus. O não e o sim. O que é grande e complexo e também o que é mais simples e às vezes quase imperceptível.

Elaine, amar e ser amado assim abre minha consciência, me faz deixar de ser menino e me dá forças para querer viver ao teu lado até depois do fim!

 

Feliz quatro anos de um casamento “felizes para sempre”! Que venha toda a eternidade pela frente de amar assim!

Bacharel em Teologia pelo UniBennett (Rio), Pablo Massolar é o editor e autor do Ovelha Magra. MBA em Gestão de Marketing, autor de livros e palestrante. Casado com Elaine, a menina mais linda do mundo, e o orgulhoso pai de Ana Clara e Sarah.